Roda de Conversa


E Dezembro chegou. Sensação de dever quase cumprido. Ainda mais uma semana intensa de correções, avaliações, fechamentos, balanços, confraternizações, programações para o ano que chega. Depois disso: descanso. O corpo tá pedindo. A alma tá pedindo. A marca de 2009 foi a mudança. O corpo demorou prá acostumar. Muito trabalho psíquico, muita elaboração. Perdas. Ganhos. Quase endoido, mas tô sobrevivendo, crescendo e aprendendo. 2010 precisa ser mais leve senão o coração não aguenta. Mas o saldo é bom. Agradeço aos deuses, santos e orixás a possibilidade de escolher meus caminhos. Que bom o gosto da liberdade. Liberdade de escolher, de ousar, de desafiar. Me sinto gente grande. Potente. Contente. Que bom.



Escrito por Stella Maris às 21h28
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Dia desses meu filho apareceu em casa com um livrinho bem legal, Zen em quadrinhos, com várias estorinhas que ilustram o que é o zen. Gostei muito de uma delas que é mais ou menos assim: uma mulher chorava o dia todo em frente a um templo e um homem a indaga o porquê daquele choro. Ela diz: "tenho duas filhas, uma casada com um fabricante de sapatos e uma casada com um fabricante de guarda-chuvas. Choro porque quando chove um dos meus genros não vende sapatos e quando faz sol o outro não vende guarda-chuvas". O homem aponta que ela deveria ver a situação por outro prisma: quando chove um dos genros vende guarda-chuvas e quando faz sol o outro vende sapatos, então ela deveria se alegrar, e de fato ela assim o fez. Isso me fez pensar que muitas vezes só olhamos uma situaçao por um prisma e quando ampliamos o olhar as coisas podem ter outra carga prá nós. Essa vale prá mim que tendo a ver as coisas por um prisma muitas vezes derrotista.



Escrito por Stella Maris às 18h38
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Sinto saudades

De pessoas, de um tempo, de algumas possibilidades

Dobrei à esquerda (ou à direita?)

Novo caminho

Curiosidade, busca do novo, vaidade?

Rumo para uma maior felicidade?

Não importa.

No fim a gente sempre vai dar no cemitério.

 



Escrito por Stella Maris às 07h59
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Junto palavras como quem junta sucata

Algumas se aproveitam

Outras se reciclam

Outras se descartam.



Escrito por Stella Maris às 07h53
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Ando desanimada

Pago meus carnês em dia

E nunca fui sorteada



Escrito por Stella Maris às 21h41
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Sou uma cobra trocando de pele.

me arrasto e sinto a casca se despregando

Uma pele nova ainda sensível, ainda frágil se desprega da casca ressecada

Nova pele, nova identidade

As metamorfoses tão necessárias

O medo do novo corpo

Sou uma cobra trocando de pele

 

 



Escrito por Stella Maris às 20h17
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Hoje a energia tá baixa. Tenho cumprido as tarefas, buscado corresponder às expectativas. Mas tem uma tristeza de base me pegando. Podia caminhar no bosque nesse final de tarde quente. Tomar uma cerveja geladinha prá sentir o corpo mais relaxado. Pegar um cineminha no centro da cidade. Ir atrás de gente prá conhecer, prá conversar. Mas fico aqui afundada na cadeira. Acho que não nasci prá trabalhar sentada. Gosto de me mexer, andar de um lado pra outro, fazer coisas, dobrar papéis coloridos, juntar miçangas, trançar fios, conversar, dar risada. Aqui perco a graça. Sou um Sansão careca, desvitalizado. Sei que isso vai passar, sei que sou forte, sei que gosto muito da vida prá fazer isso comigo. Mas continuo afundada na cadeira. Sozinha. Triste. Desvitalizada.Lá fora começa a ventar. Será que um banho de chuva pode me revitalizar? Sinto falta de parcerias, de cumplicidades.Estou em mutação. A universidade era uma esperança do aprofundamento no conhecimento, de continuar minha caminhada na assistência e poder torná-la mais densa. Mas vejo que tenho que começar um caminho novo. Arar a terra, colocar sementes,tirar as ervas daninhas. Esse lugar não está pronto me esperando. Tenho que consturir isso tudo. Peço forças para esse novo plantio. Peço forças prás coisas não perderem o sentido prá mim. Peço forças para não perder meu eixo, meu foco, minha alegria.

Y Dale Alegría a Tu Corazón (mercedes, querida, foi cantar na eternidade)
(
Fito Páez)

Y dale alegría, alegría a mi corazón es lo único que te pido, al menos hoy, y dale alegría, alegría a mi corazón y que se enciendan las luces de este amor.
Y ya verás como se transforma el aire del lugar, y ya, ya verás, que no necesitaremos nada más.
Y dale alegría, alegría a mi corazón que ayer no tuve un buen día por favor, y dale alegría, alegría a mi corazón que si me das alegría estoy mejor.
Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, ya verás, que no necesitaremos nada más.
Y dale alegría, alegría a mi corazón es lo único que te pido, al menos hoy, y dale alegría, alegría a mi corazón afuera se irán las penas y el dolor. Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, verás, que no necesitaremos nada más.
Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, verás, que no necesitaremos nada más.

Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya, verás, que no necesitaremos nada más.
Y dale alegría, alegría a mi corazón es lo único que te pido, al menos hoy, y dale alegría, alegría a mi corazón afuera se irán la pena y el dolor.
Y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, bebamos y emborrachemos la ciudad, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya verás, las sombras que aquí estuvieron, no estarán, y ya ya verás, que no necesitaremos nada más.



Escrito por Stella Maris às 19h41
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Sou uma pessoa muito rica.

Meus tesouros são meus amigos

É no rosto deles que vejo minha imagem refletida

Isso faz com que eu me enxergue e possa assim me tornar uma pessoa melhor.

Maria Clara é um desses tesouros.

Estar com ela neste final de semana foi um luxo!

Gosto do jeito que ela faz as coisas, sempre com aquela calma e tranqüilidade.

Gosto dos seus “ésses” chiados:  Schtella, Rio das Oschtras.

Gosto até de ficar perto dela enquanto ela fuma (e eu que odeio cigarro)

Tem uma tragada densa, introspectiva

Parece que  medita enquanto a fumaça entra e sai desenhando rodinhas no ar.

O almoço gostoso e o agradinho à gatinha arredia e à cachorrinha travessa ao final.

A gatinha mais altiva, aparece de vez em quando e nos dá um miau

A cachorrinha, mais danada, puxa com a patinha nossas mãos para um carinho.

Uma casa feminina, com humanos e bichos em harmonia.

Casa com cara de lar: arejada, iluminada, uma mãe já senhorinha mas muito viva e ativa, devorando livros de aventuras e demais romances com um grande interesse pela vida.

Nada de lamentações e cobranças, somente preocupação se o outro está bem, se quer comer, se quer uma toalha para o banho, se quer o quarto escuro ou com uma fresta de luz.

Entrar na casa de alguém é entrar na vida de alguém, nos seus ritmos, nos seus gostos.

Também conheci outros amigos de Clara e já me sinto amiga deles por extensão.

E minha tribo aumenta.

Acho que isso é um pedacinho de felicidade



Escrito por Stella Maris às 14h15
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Senhora Ansiedade - Sandra Cunha Vidal

Senhora do agora , do já.

A ansiedade não acalma

desconhece a paz,

desequilibra o ambiente,

amaldiçoa os cérebros lentos

os passos calmos

um após outro...

Ela tem pressa, não permite histórias longas,

discursos prolixos.

ela atropela, é sem educação.

coloca as palavras na boca de quem inicia a frase

ou pior, termina a frase do outro.

anda e vai falando

ou fala e vai andando

briga com o tempo, instiga as decisões.

sem paciência, sofre de "dispnéia"

Não se senta num banco

para esperar a sua vez na fila

jogando conversa fora...

Ela nem conversa!

fica roendo as unhas,

balançando as pernas.

anda de um lado para outro,

resmunga,

mostra os dentes, tem arrepios, suores

empurra ou dá rasteiras

e sai correndo atrás do nada.

Sofre de dor de estômago,

coração acelerado,

engasgamento,

"peito apertado".

Não dá o braço a torcer

não chora nunca

É a rainha da cobrança.

Gosta da pergunta: Terminou?

tem olhos arregalados,

abomina o sono,

e vomita quando é pressionada.

Coitada,

não suporta pensar em si mesma.

A ansiedade morre de arritmia

ou entrestecida,

envelhece aos trinta.



Escrito por Stella Maris às 21h32
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Hoje a saudade apertou e dei uma passada no Boa Vista. Foi uma passada-relâmpago, tinha que resolver uns assuntos domésticos-burocráticos-familiares e entre uma tarefa e outra passei por lá no final da manhã. Passei na casa de alguns usuários queridos de quem estava com muitas saudades. Tirei a Rose da cama, que até se assustou com minha chegada em sua casa. Passei na D. Hilda, querida Hilda, uma das primeiras a participar do grupo de tai chi. Casa bonita, reformada. Casa simples mas gostosa, com plantinhas, gatinhos e muita dignidade. Me contou que continua na ginástica e que coordena o tai chi nas quintas-feiras. E eu mesma parei o tai chi. Acho que já até me esqueci da sequência. Dei abraços gostosos nos profissionais que ia encontrando pelas salas e corredores. Conversei um pouco com cada um deles, contei como anda minha vida. Isso me fez bem, foi bom encontrá-los. Mas sinto que não dá ainda prá ficar muito, sinto medo de uma recaída, de ficar afetivamente ainda muito ligada a eles e isso atrapalhar minha inserção no trabalho atual. Preciso desligar, fechar mesmo esse ciclo, essa experiência que foi muito rica e intensa de trabalho e vida. Tenho sentido falta de atender, de não perder-a-mão. Sem atender me sinto um Sansão sem os cabelos. Fica difícil pensar na TO fora da prática de atender. Eu tenho buscado atender um pouco em São Carlos. É dos casos reais, das situações concretas que tiro a seiva para pensar, para teorizar. Antes me ressentia de atender o tempo todo e no final do dia não me restavam forças para escrever, estudar. Agora tenho mais tempo e tenho sentido falta de atender. Ô ser humano sempre insatisfeito com a vida!



Escrito por Stella Maris às 15h19
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Tem horas que as coisas parecem que vão caminhando bem, que vão entrando nos eixos para que uma boa travessia possa se realizar. Mas de repente a coisa empaca. No meio do caminho tinha uma pedra, e aparece uma pedra no meio do caminho. Dúvidas de como prossegui a viagem. Voltar? Não me parece prudente. É se acovardar. Mas qual o problema de se acovardar? Recuar também é uma possibilidade que não deve ser descartada. Por que a gente tem que ser sempre corajoso? Por que um covarde não pode ser visto como alguém com senso de auto-preservação? Latir como cachorrinha "chiuaua" destemida ou virar a vaca de presépio, eis a questão! A cachorrinha tem seu encanto. Mesmo mirradinha, magrelinha e se tremendo toda ela enfrenta o perigo sem muita noção de que pode ser aniquilada com um chutezinho qualquer. Já a vaca exala uma certa sabedoria. Aquele olhar doce, passivo. Aquele corpo grande, aquele peso todo impontente que obedece mas que se decidir deitar no meio da passagem pode dar trabalho para os outros a retirarem dali. Ainda não sei a quem quero alimentar mais e a quem dar mais força. À cachorrinha destemida mas meio suicida? À vaca serena e cordata? Sei lá, deu vontade de cantar: vaca das divinas tetas, derrama o leite bom na minha cara, e o leite mau na cara dos caretas...



Escrito por Stella Maris às 19h42
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Como é bom conversar!

Conversar é aparecer para o outro, a conversa será, talvez, a ocupação mais deleitosa e fecunda do cotidiano. Deleitosa, porquanto permita o reconhecimento sem reserva das pessoas entre si; fecunda porque ao contrário de “perder tempo”, como pode parecer, é ganho de tempo á medida que perfazemos nossa existência própria com a experiência do outro. O isolamento é a antítese da conversa.

(Kujawski, 1991 p. 47 Crise do Século XX. Ed Atica. São Paulo.)



Escrito por Stella Maris às 18h21
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E aconteceu...

E aconteceu uma coisa muito boa. "A paz invadiu o meu coração, de repente me encheu de paz". Recomecei o semestre, estou morando em uma pensão bem simpática e dividindo o quarto com uma colega muito querida, Iracema, que aliás foi minha professora em 1987. Não irei me esquecer de toda a acolhida pela Martha, que nem me conhecia e me recebeu em sua casa por cinco meses como se eu fosse velha amiga. O saldo dessa convivência é a vontade de ser solidária com as pessoas e fazer o mesmo que ela fez comigo: acolher, cuidar. Nesta semana vivi uma experiência intensa com uma parte do meu grupo de trabalho e pudemos nos ver uns aos outros de uma maneira muito diferente. Senti-me pela primeira vez integrada de fato neste grupo. Acho que agora é que tomei posse de fato na Federal. Sinto que vesti a camisa e isso me deu uma alegria tamanha. Passamos a semana em uma capacitação sobre nossa metodologia de ensino e pudemos nos colocar com muita verdade, sem precisar de defesas. O cupido nos flechou, e todo mundo passou a ficar mais bonito. Rimos muito, brincamos, saimos para comer e beber juntos, combinamos sessões de cinema e encontros fora do expediente. Como é boa essa cumplicidade em um grupo. Todos acabamos essa capacitação com a Cristina Capel, uma docente da enfermagem de Marília, com essa sensação de felicidade expandida. Cristina será lembrada como alguém que facilitou a criação de um elo entre nós. Nesse mundo, enquanto tem tanta gente construindo muros, tem outras fazendo pontes. Nessa semana contruímos pontes entre nós, e que possamos atravessá-las. Aliás, nessa capacitação ficou claro para mim que as metodologias ativas, sobretudo as de inspiração freireana, são pedagogias da travessia, à serviço da transformação da realidade e do reencantamento do mundo.



Escrito por Stella Maris às 23h11
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Quarenta anos é demais pra uma mulher. Prefiro quarenta e dois. O papa tá passando pito nos jesuítas, plantei um pé de samambaia chorona que não vai pra frente de jeito nenhum. Galinho garnizé é galinho à-toa, atrevimento empenado. Quem sofre convulussão, se for de excesso epinético, pode olhar que fez misturada de manga com goiaba. O açougueiro e sua faca me expulsam, porque eu não tenho santidade, eu não sou digna de por meus pés no lugar mais deprimente do mundo. Quando quero ficar humilde eu visito os açougues, entro de um em um, pra ver as mulheres de chinelo de borracha, apertando os pedaços com aqueles dedos grossos que não merecem anéis. Se eu não ficar doida, é saúde demais.*

*Adélia Prado, in Solte os cachorros.

E estou na beirinha dos quarenta e dois. Olho pra trás e vejo que já tem estrada. Já tive que lidar muitas vezes com os meus maiores medos/curiosidades da infância: o poder, a sexualidade e a morte. Sou fraca frente ao poder, acho que não sei governar. Acho mais gostoso dizer sim do que não, e quando a gente tem poder a gente tem que saber dizer não com muita tranquilidade e segurança. Eu digo um não e depois fico me tremendo toda, sofrendo, mesmo sabendo que estou com a razão. Tenho que aprender a sustentar os nãos, e isso é um dos desafios do momento. Gosto mais da função materna do que da paterna, gosto de cuidar, dar comida na boca, passar a mão na cabeça e isso nem sempre é bom e necessário. A sexualidade também já é menos misteriosa. Já experimentei a paixão, o desejo, o ciúme, a dor-de-cotovelo. Já levei fora, já dei o fora. Vi a barriga crescer e a vida ser gerada. Amamentei. A morte também já se revelou algumas vezes nas perdas de parentes, de pacientes, de amigos. Ô coisa triste é ir a enterro de amigo, é como se um pedacinho da gente estivesse indo junto. A morte é o absoluto. A certeza de que somos passageiros e podemos partir a qualquer momento. A qualquer momento nossa história pode, pluft, acabar, como na piada escrotinha dos dois tomatinhos atravessando a rua e um fala pro outro: 'olha o carro! plaft' e o outro responde: 'onde? schlept!'. Dei um passo importante nesse ano, uma volta no ciclo. Rompi com um trabalho de dezoito anos e começo outra jornada em novas plagas. Ando num corredor rumo a um novo devir, mas por vezes me engancho em alguma maçaneta e o passo retrocede. Percebi que essas enganchadas são coisas mal-resolvidas que precisam ser deixadas prá trás. Não têm uma explicação racional. Não há pendências racionalmente plausíveis, mas percebi que carrego mágoas, e é horrível sentir mágoa. A mágoa é um troço estranho. Ela nos tira o brilho, nos deixa aguado. Mágoa tem água, e vai nos encharcando. Acho que é por isso que dizem que "fulano é um poço de mágoa". Dizem também que "a mágoa faz mais mal a quem a carrega". O magoado é mais nocivo a si mesmo do que aos outros. Como diz Riobaldo em 'Grande Sertão veredas': "acho que o espírito da gente é cavalo que escolhe estrada: quando ruma para a tristeza e morte vai não vendo o que é bonito e bom". Esse é o desafio do momento, dissolver e secar essas pendências. Tenho mentalizado que a mágoa é um comprimido efervescente de sonrizal que coloco na água para que se desfaça, e ssssccchhhhhhhhhhhhhhhh, já não tem mais nada. Quarenta e dois vai ser meu ano do recomeço e do perdão. Quero perdoar do fundo do meu coração àqueles por quem senti mágoa, e principalmente quero me perdoar por senti-la, pois já me culpei demais por isso. Acho que isso vai me deixar atenta a não mais  me enganchar nas maçanetas dos corredores que me levam ao novo e seus desafios. Tenha um feliz aniversário, Stella, e pense nisso. Seja sua melhor amiga. Veja que a seu lado há muitas mãos estendidas e às vezes você só está enxergando aquela uma que te barrou. Muda o foco, vira o disco, vá, siga! Força na peruca, muié!



Escrito por Stella Maris às 14h39
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"Se a rasgo não se lida, todo santo dia, com vontade de abrir um adiante, então tudo desmerece, desanda, de pior, pior, pra trás, as coisas ganhas começam a escapulir, não vão estando nas mãos da gente. Trabalhar, até alcançar a firmeza de uns assim, de quem o nome vale."

João Guimarães Rosa



Escrito por Stella Maris às 19h55
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